Arhes 21 – Sonhos, Lagrimas e Lembranças

bg
Às vezes, categorizar bandas de rock é uma tarefa difícil. Por ser um gênero tão mutável, adaptável e genérico, foram criadas centenas de subgêneros para o estilo, alguns que ninguém sabe explicar ao certo, e quando uma banda se encontra entre diversas influências diferentes acaba sem uma categoria correta. A Arhes 21 é um exemplo disso: está claro que é rock com um certo peso, mas em suas músicas é possível perceber traços do Metal, Hard Rock, Classic Rock e Pop Rock.

A banda surgiu em Guarulhos-SP no ano de 2003 com  o intuito de trazer letras poéticas e cativantes. Depois de anos de estrada, a banda lançou seu primeiro EP em 2011, intitulado “Apenas Verdades”, sendo lançado na clássica casa de shows de São Paulo Hangar 110. Desde então, o profissionalismo virou a prioridade da banda, resultando no recém-lançado segundo EP, “Sonhos, Lagrimas e Lembranças”, com mais amadurecimento e qualidade musical.

Com guitarras densas, a primeira faixa, “Sobreviver”, fala sobre a tentativa de sobrevivência em uma sociedade de ódio e rancor. Ela nos traz uma reflexão importante: para sobreviver, é necessário não fechar os olhos para a realidade, sendo preciso reconhecer as relações ácidas ao nosso redor, como nos versos “O pior cego é o que não enxerga o que está em sua visão/fecha os olhos e vira as costas esperando salvação”.

A faixa-título tem uma roupagem mais Pop Rock e cara de hit. é tipo as canções da banda Malta, só que com qualidade. A letra reflete sobre a perseguição que nossas memórias podem nos fazer e a necessidade de supera-las e colocar a vida em frente. O mesmo potencial aparece em “Pater”, com o discurso do personagem tentando mostrar para sua amada que nunca a deixou sozinha, nem nunca deixará.

Em “Breve Adeus” temos uma série de lamentações sobre o fim de um relacionamento. Se na faixa anterior a banda cantou sobre deixar as memórias ruins do passado para trás, agora diz que estas não serão apagadas. As guitarras se superam nessa música, começando com um ótimo riffzinho e crescendo até chegar ao solo no final da canção.

“Paginas Vazias” retrata um homem em processo de superação de seus dramas. É como se o narrador de “Breve Adeus” ouvisse a mensagem de “Sonhos, Lágrimas e Lembranças” e iniciasse sua aceitação. Ele ainda faz comentários extremamente depressivos, dizendo que sua mente ficou vazia, que perdeu a fé e que vozes vazias fazem gritos de solidão, mas “Pulsos vazios mas coração em paz” , “Não Quero Ser O Que Eu Fui” e “Escolhi entre viver e as angústias deixo para trás” mostram uma melhora de sua situação anterior. O riff inicial é completamente diferente do que vimos no disco até então, lembrando algo meio Post-Rock.

A faixa-final “Do Alto” recupera as guitarras pesadas e a velocidade. Mais para frente surgem outros elementos presentes no trabalho, como riffs emocionais, até chegar ao solo, mas sempre mantendo a intensidade. É como uma faixa-final de uma obra dessas deveria soar: traz o clima de contemplação que serve de despedida ao universo de um álbum, que chaga ao ápice no solo, mas carrega certo peso, para que tudo não se torne um pranto vexaminoso. O Gram usou a mesma estratégia em “Meu tom”, de Outro Seu. Obvio, ao seu nível, já que a banda é mais leve.

Anúncios
Esta entrada foi postada em Rock.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s